O Laboratório de Imunogenética (Imunogen) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) realiza, desde 1985, exames de histocompatibilidade, fundamentais para avaliar a compatibilidade entre células, tecidos e órgãos em transplantes. Em 2025, ao completar 40 anos de atuação, o Laboratório celebra também uma nova fase, marcada pela mudança de nome e identidade visual: deixa de ser LIG e passa a se chamar Imunogen, refletindo evolução, renovação e o compromisso com a ciência e a inovação.
Atualmente, o Imunogen atende os 30 municípios da 15ª Regional de Saúde, além de outras regiões como Paranavaí e Cianorte, conforme definido pela Central de Transplantes do Paraná. A professora da UEM e diretora do Laboratório, Jeane Visentainer, conta que a decisão de mudar o nome e a identidade visual surgiu da necessidade de refletir a evolução do trabalho ao longo desses 40 anos.
“O Laboratório cresceu, se modernizou, ampliou suas áreas de atuação e fortaleceu sua relação com a comunidade e o sistema de saúde. Sentimos que era o momento de alinhar nossa imagem institucional com essa nova fase”, conta Visentainer. Ela também destaca que o Imunogen, agora, busca ainda mais tornar a comunicação clara e acessível ao público geral.
Jeane ainda compartilha que comemorar as quatro décadas do Laboratório é mais do que uma marca no tempo – é a celebração de uma trajetória construída com responsabilidade social, compromisso com a ciência e dedicação à vida.

Nova identidade visual do Laboratório de Imunogenética da UEM (Foto/Reprodução)
Uma história de compromisso com a saúde pública –
O professor aposentado de Imunologia da UEM, Ricardo Moliterno, participou da implantação do Laboratório, na década de 80. Ele lembra dos desafios. “Conseguimos um freezer de -70 °C, o que ainda não existia na UEM. Tive que enviar cartas para diversos laboratórios ao redor do mundo — EUA, Japão, África do Sul, Europa — pedindo doações de antissoros para caracterização das moléculas HLA, conjunto de proteínas responsável por apresentar substâncias estranhas ao sistema imunológico. Sem isso, teríamos que produzi-los, o que exigiria mais material específico, ou comprá-los por um preço inviável. Para nossa surpresa, muitos nos atenderam, mesmo sem sermos conhecidos nacional nem internacionalmente.”

Moliterno no Laboratório de Imunogenética no início da década de 90 (Foto/Arquivo Pessoal)
Moliterno ainda reforça que, em poucos anos, o então LIG-UEM deixou de ser um laboratório desconhecido para se tornar uma referência nacional em Histocompatibilidade Humana. Esse reconhecimento permitiu o credenciamento junto ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT), habilitando-o a realizar exames essenciais para transplantes.
“O Laboratório de Imunogenética da UEM só teve sucesso graças ao envolvimento e à dedicação, ao longo dos anos, de um grupo de professores e funcionários que trabalharam juntos para construir o que hoje é, com orgulho, este Laboratório, com L maiúsculo”, conta Moliterno.

Moliterno no Laboratório de Imunogenética, em 2005 (Foto/Arquivo Pessoal)
O professor reforça que a continuidade dos trabalhos só é possível porque novos profissionais vêm assumindo, com competência e compromisso, o papel daqueles que já cumpriram sua missão nessa trajetória.
E é exatamente isso que o Imunogen tem feito. O Laboratório teve, em 2025, um projeto aprovado por uma chamada de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa envolve professores, servidores, pesquisadores, alunos de pós-graduação e divulgadores científicos a fim de desenvolver um algoritmo que prevê desfechos de transplantes renais.
O professor do Departamento de Medicina da UEM e médico nefrologista responsável pelo serviço de transplante renal da Santa Casa de Maringá, Sérgio Yamada, participa do projeto mais recente do Laboratório. Segundo ele, o foco da iniciativa é aprimorar a qualidade dos transplantes por meio da integração entre a prática clínica e a pesquisa.
“A investigação de lacunas identificadas no dia a dia e a formação de novos profissionais, tanto no laboratório quanto na clínica, devem gerar benefícios concretos para melhorar a assistência aos pacientes”, aposta Yamada.
“Ao longo das quatro décadas de atuação, tivemos conquistas que marcaram profundamente a trajetória do laboratório. Um dos primeiros marcos foi a consolidação da prestação de serviços à comunidade por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o que nos permitiu impactar diretamente a vida de milhares de pacientes que necessitam de transplantes”, reforça a diretora do Imunogen.
Jeane lembra que a implantação e constante atualização das técnicas de histocompatibilidade também foi fundamental, sempre alinhadas com os avanços científicos e tecnológicos. Outro ponto de destaque foi a qualificação da equipe, com a formação de profissionais altamente capacitados, muitos dos quais seguiram carreira acadêmica e científica, ampliando o alcance do trabalho.

Jeane Visentainer apresentando o projeto do algoritmo em Brasília (Foto/Arquivo Pessoal)
Os 40 anos do Imunogen são celebrados com uma série de atividades. Nas redes sociais, o Laboratório promove postagens sobre sua história, linhas de pesquisa, serviços e equipe atual, apresentando de forma acessível sua nova identidade à comunidade acadêmica e ao público geral. A comemoração inclui também o lançamento do novo website do Imunogen. Clique aqui para conferir.
Texto por Luiza da Costa




